"De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro".
Último parágrafo da primeira parte de O Encontro Marcado
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sábado, 8 de maio de 2010
Impaciência
Estou lendo Fernando Sabino, um dos meus escritores favoritos.
O livro da vez é O encontro marcado - que já nas suas 161 páginas lidas não deixa de me surpreender.
Depois, eu coloco aqui a resenha dele.
O livro da vez é O encontro marcado - que já nas suas 161 páginas lidas não deixa de me surpreender.
Depois, eu coloco aqui a resenha dele.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
domingo, 9 de agosto de 2009
Leite Derramado
Chico Buarque, aí vai um conselho: não escreva livros. Apenas continue compondo.
Confesso que comecei a descobrir a obra de Chico há pouco tempo, mas já é o suficiente para admirá-lo como compositor e arranjador impecável. Algumas de suas músicas eu não contenho o choro mesmo.
Só que como escritor, Chico, continue compondo. Leite Derramado, seu mais novo título, é um suplício. São 195 míseras páginas e eu levei quase um mês para terminar de ler porque simplesmente é muito chato.
A narrativa é cansativa e lenta. O livro se resume a contar os devaneios de uma pessoa (Eulálio, no caso!) prestes a morrer, interno em um hospital e que passa a rememorar a sua vida, incluindo sua família até os amores mal resolvidos.
Só que para o leitor saber o que realidade ou devaneio é algo dificílimo. Não existe uma linha, uma dica, alguma coisa que o faça entender essas passagens. Não sei até que ponto este recurso ajuda em uma narrativa. As passagens ficam misturadas e o leitor perde o rumo. Existem, claro, alguns autores que se utilizaram desta técnica, mas que conseguiram prender o leitor e trazê-lo de volta para a história central do livro. Mas não pense que com Leite Derramado isso vai acontecer.
Outro aspecto interessante é a estrtura do livro: capítulos de quatro a seis páginas e apenas uma parágrafo. Acredito que ele preferiu usar apenas um parágrafo para 'casar' com a idéia de um pensamento, um remake ou um flash de algum momento passado.
A experiência com Leite Derramado rendeu a seguinte pergunta: Como é que uma pessoa que compõe 'Eu te amo', que me faz chorar toda vez que escuto, consegue produzir um livro assim?
Bom, bastou para entender que nesta vida não se pode ser bom em tudo.
Ficha técnica
Leite Derramando
Chico Buarque
Número de páginas: 195
Editora: Companhia das Letras
Preço médio: R$ 30
Confesso que comecei a descobrir a obra de Chico há pouco tempo, mas já é o suficiente para admirá-lo como compositor e arranjador impecável. Algumas de suas músicas eu não contenho o choro mesmo.
Só que como escritor, Chico, continue compondo. Leite Derramado, seu mais novo título, é um suplício. São 195 míseras páginas e eu levei quase um mês para terminar de ler porque simplesmente é muito chato.
A narrativa é cansativa e lenta. O livro se resume a contar os devaneios de uma pessoa (Eulálio, no caso!) prestes a morrer, interno em um hospital e que passa a rememorar a sua vida, incluindo sua família até os amores mal resolvidos.
Só que para o leitor saber o que realidade ou devaneio é algo dificílimo. Não existe uma linha, uma dica, alguma coisa que o faça entender essas passagens. Não sei até que ponto este recurso ajuda em uma narrativa. As passagens ficam misturadas e o leitor perde o rumo. Existem, claro, alguns autores que se utilizaram desta técnica, mas que conseguiram prender o leitor e trazê-lo de volta para a história central do livro. Mas não pense que com Leite Derramado isso vai acontecer.
Outro aspecto interessante é a estrtura do livro: capítulos de quatro a seis páginas e apenas uma parágrafo. Acredito que ele preferiu usar apenas um parágrafo para 'casar' com a idéia de um pensamento, um remake ou um flash de algum momento passado.
A experiência com Leite Derramado rendeu a seguinte pergunta: Como é que uma pessoa que compõe 'Eu te amo', que me faz chorar toda vez que escuto, consegue produzir um livro assim?
Bom, bastou para entender que nesta vida não se pode ser bom em tudo.
Ficha técnica
Leite Derramando
Chico Buarque
Número de páginas: 195
Editora: Companhia das Letras
Preço médio: R$ 30
domingo, 2 de agosto de 2009
Danou-se
A Federação Paulista de Futebol proibiu repórteres de cobrirem nos jogos dentro do campo de futebol.
Agora lascou. Daqui a pouco, acabam com todas as possibilidades de um jornalista fazer um trabalho decente.
Vou mudar de profissão. É o jeito!
Agora lascou. Daqui a pouco, acabam com todas as possibilidades de um jornalista fazer um trabalho decente.
Vou mudar de profissão. É o jeito!
domingo, 19 de julho de 2009
Rota 66 - A história da polícia que mata
Caco Barcellos é leitura obrigatória entre a maioria dos estudantes na faculdade de Jornalismo (sim, senhores ministros, eu escrevi FACULDADE!). Pois bem, não sei em que planeta eu estava quando pulei esta etapa e só deixei para ler 'Rota 66 - A história da polícia que mata' sete anos depois de formada.
Talvez este pecado tenha sido necessário para poder entender o quanto o livro é desafiador. Caco Barcellos fez um trabalho de pesquisa impressionante, ao conseguir criar um banco de dados paralelo e que identificou mais de 3.800 vítimas da Polícia de São Paulo entre 1970 a 1992.
Neste árduo levantamento, ele revela que 65% das vítimas eram inocentes. Além dos número, ele conseguiu um rápido perfil social e econômico: grande parte também era negra ou parda, jovens e moradores de periferia.
Para chegar a esta radiografia, Barcellos desenvolveu um intenso trabalho de pesquisa e de apuração in loco e que foi motivado a partir das matérias publicadas no jornal 'Notícias Populares'. Na época, o jornal sempre trazia notícias de tiroteios com mortes e se baseava exclusivamente nos boletins emitidos pela Polícia. Foi justamente a frequencia desses tiroteios que chamou a atenção de Barcellos.
Com base nesta perpectiva de descobrir perfis e fatos que justificassem os assassinatos, que Caco Barcellos vai a fundo e encontra parentes e amigos das vítimas. As histórias mais impressionantes foram transcritas no livro, que mantém uma linguagem simples e direta, sem qualquer apelação para o fato de lidar com a violência das ruas.
Rota 66 é um livro capaz de provocar indignação. Do ponto de vista jornalístico, é uma aula de pesquisa e de esforços em busca da informação precisa.
Talvez este pecado tenha sido necessário para poder entender o quanto o livro é desafiador. Caco Barcellos fez um trabalho de pesquisa impressionante, ao conseguir criar um banco de dados paralelo e que identificou mais de 3.800 vítimas da Polícia de São Paulo entre 1970 a 1992.
Neste árduo levantamento, ele revela que 65% das vítimas eram inocentes. Além dos número, ele conseguiu um rápido perfil social e econômico: grande parte também era negra ou parda, jovens e moradores de periferia.
Para chegar a esta radiografia, Barcellos desenvolveu um intenso trabalho de pesquisa e de apuração in loco e que foi motivado a partir das matérias publicadas no jornal 'Notícias Populares'. Na época, o jornal sempre trazia notícias de tiroteios com mortes e se baseava exclusivamente nos boletins emitidos pela Polícia. Foi justamente a frequencia desses tiroteios que chamou a atenção de Barcellos.
Com base nesta perpectiva de descobrir perfis e fatos que justificassem os assassinatos, que Caco Barcellos vai a fundo e encontra parentes e amigos das vítimas. As histórias mais impressionantes foram transcritas no livro, que mantém uma linguagem simples e direta, sem qualquer apelação para o fato de lidar com a violência das ruas.
Rota 66 é um livro capaz de provocar indignação. Do ponto de vista jornalístico, é uma aula de pesquisa e de esforços em busca da informação precisa.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Vale a pena
Ler a reportagem de capa da revista Época desta semana que traz uma pesquisa feita com os nosso ilustres congressistas.
Das duas uma:
Ou eles foram sinceros, pois se autoavaliaram como medianos, ou estão fazendo média e zonando da nossa cara, pintando uma imagem de pessoas ´humildes´.
Fora isto, o texto revela o perfil de quem nós elegemos.
Das duas uma:
Ou eles foram sinceros, pois se autoavaliaram como medianos, ou estão fazendo média e zonando da nossa cara, pintando uma imagem de pessoas ´humildes´.
Fora isto, o texto revela o perfil de quem nós elegemos.
terça-feira, 30 de junho de 2009
Caros ministros, vocês sabem o que significa 'Pirâmide Invertida'?
Sei que estou atrasada nas manifestações contra a decisão do Supremo Tribunal Federal de não exigir o diploma de nível superior para exercer a profissão de Jornalista.
Analisei muito sobre a decisão, li comentários de toda a classe, editoriais de empresas de comunicação e ouvi angústias dos estudantes que foram pegos de surpresa e se questionaram o que estavam fazendo na Faculdade de Jornalismo depois de uma tempestade como esta.
A minha reação não poderia ser diferente: indignação. Para a mais alta corte do país, capaz até de julgar o presidente da República, jornalista não precisa ser capacitado e muito menos ter o 'dom' para escrever. Para os senhores ministros, qualquer pessoa pode redigir uma matéria, editá-la, pensar a diagramação da página e elaborar a capa do jornal. Tudo isso em nome da liberdade de expressão, que foi utilizada como álibi da tirar nosso diploma.
Parecem funções muito simples, não é ministros? Pois bem. Quero dizer a vocês que Jornalismo é técnica. E pergunto aos ilustres ministros se eles sabem o que significa Pirâmide Invertida.
Esta é a primeira lição que se aprende quando se estuda Jornalismo. E só aprende com treino, apuro e insistência. Tem que estudar, tem que ler. Ninguém nasce sabendo como se faz um lide. E não é a redação de um jornal, de uma tv, rádio ou internet que vai ter a paciência para te ensinar - ela quer que você já chegue pronto. Porque o que se espera de um profissional hoje é, no mínimo, qualificação.
Estamos na Era do Conhecimento e do Multiculturalismo. As fronteiras foram quebradas. Quem tem conhecimento, chega mais rápido. E o Jornalismo não foge disso. Jornalismo lida com vidas, com o cotidiano. Qualquer um de nós pode
A produção intelectual das Escolas de Jornalismo no Brasil é riquíssima. Já li e tenho lá na minha estante diversos livros editados a partir de trabalhos realizados nas redações, com fontes, com leitores.
O Jornalismo é uma atividade complexa, caros ministros. Uma página editada de um jornal leva um dia inteiro de trabalho. Para manter um portal de notícias na Internet, é preciso faro jornalístico e muita capacidade de decidir o que merece destaque ou não.
Quanto à liberdade de expressão, tenho a dizer que a Internet hoje é a maior ferramenta a favor desta ideia. Blogs são criados a cada minuto. É o espaço para se discutir e pensar, cada um dentro do que se deseja escrever.
Mas com a vida das pessoas é diferente. Aprendi que a melhor manchete é aquela que afeta o maior número de pessoas possível. É por isso que, para decidir como esta manchete vai ser criada, é preciso qualificação.
Senhores ministros, o Jornalismo é complexo. Pensem nisso.
Analisei muito sobre a decisão, li comentários de toda a classe, editoriais de empresas de comunicação e ouvi angústias dos estudantes que foram pegos de surpresa e se questionaram o que estavam fazendo na Faculdade de Jornalismo depois de uma tempestade como esta.
A minha reação não poderia ser diferente: indignação. Para a mais alta corte do país, capaz até de julgar o presidente da República, jornalista não precisa ser capacitado e muito menos ter o 'dom' para escrever. Para os senhores ministros, qualquer pessoa pode redigir uma matéria, editá-la, pensar a diagramação da página e elaborar a capa do jornal. Tudo isso em nome da liberdade de expressão, que foi utilizada como álibi da tirar nosso diploma.
Parecem funções muito simples, não é ministros? Pois bem. Quero dizer a vocês que Jornalismo é técnica. E pergunto aos ilustres ministros se eles sabem o que significa Pirâmide Invertida.
Esta é a primeira lição que se aprende quando se estuda Jornalismo. E só aprende com treino, apuro e insistência. Tem que estudar, tem que ler. Ninguém nasce sabendo como se faz um lide. E não é a redação de um jornal, de uma tv, rádio ou internet que vai ter a paciência para te ensinar - ela quer que você já chegue pronto. Porque o que se espera de um profissional hoje é, no mínimo, qualificação.
Estamos na Era do Conhecimento e do Multiculturalismo. As fronteiras foram quebradas. Quem tem conhecimento, chega mais rápido. E o Jornalismo não foge disso. Jornalismo lida com vidas, com o cotidiano. Qualquer um de nós pode
A produção intelectual das Escolas de Jornalismo no Brasil é riquíssima. Já li e tenho lá na minha estante diversos livros editados a partir de trabalhos realizados nas redações, com fontes, com leitores.
O Jornalismo é uma atividade complexa, caros ministros. Uma página editada de um jornal leva um dia inteiro de trabalho. Para manter um portal de notícias na Internet, é preciso faro jornalístico e muita capacidade de decidir o que merece destaque ou não.
Quanto à liberdade de expressão, tenho a dizer que a Internet hoje é a maior ferramenta a favor desta ideia. Blogs são criados a cada minuto. É o espaço para se discutir e pensar, cada um dentro do que se deseja escrever.
Mas com a vida das pessoas é diferente. Aprendi que a melhor manchete é aquela que afeta o maior número de pessoas possível. É por isso que, para decidir como esta manchete vai ser criada, é preciso qualificação.
Senhores ministros, o Jornalismo é complexo. Pensem nisso.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
A Veja - mais uma vez
Achei a revista estranha, nesta semana. A matéria de capa - sobre os riscos e perigos da Internet - poderia ter sido dada em Janeiro, mês típico para explorar as pautas congeladas.
Tudo bem que a vida se telestransportou para a rede, para os bytes e códigos fontes. Não temos mais vizinhos de porta, mas sim lista de contatos. Estar no gtalk ou no twitter hoje se assemelha a sentar em um banco de praça e bater papo com os velhos amigos.
Mas, voltando à Veja (eu e meus devaneios) também estranhei o fato de a editoria de Brasil estar tão diversificada de escândalos - geralmente a revista sempre alivia para o lado neoliberal (leia-se DEM e PSDB). E olhe que na lista de escandalosos só tinham representantes desta corrente.
Foi justamente este o motivo da minha 'estranheza'. Eu acredito que os veículos de comunicação podem tudo. Sim: tudo. E, por isto, não duvido que a Veja possa elogiar Lula.
É isso: eu não duvido, mas acho estranho que a revista o faça.
Tudo bem que a vida se telestransportou para a rede, para os bytes e códigos fontes. Não temos mais vizinhos de porta, mas sim lista de contatos. Estar no gtalk ou no twitter hoje se assemelha a sentar em um banco de praça e bater papo com os velhos amigos.
Mas, voltando à Veja (eu e meus devaneios) também estranhei o fato de a editoria de Brasil estar tão diversificada de escândalos - geralmente a revista sempre alivia para o lado neoliberal (leia-se DEM e PSDB). E olhe que na lista de escandalosos só tinham representantes desta corrente.
Foi justamente este o motivo da minha 'estranheza'. Eu acredito que os veículos de comunicação podem tudo. Sim: tudo. E, por isto, não duvido que a Veja possa elogiar Lula.
É isso: eu não duvido, mas acho estranho que a revista o faça.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
O livro dos políticos

Já pensou em se divetir com um perfil cômico dos presidentes do nosso lindo Brasil? Pois esta é a proposta de 'O Livro dos Políticos' (Heródoto Barbeiro e outra cidadã que eu não lembro o nome e que eu posto quando eu chegar em casa!) e que não sai da minha cabeceira de leitura!
O texto é ótimo e a edição ficou muito boa. A idéia é discutir política de uma forma gostosa, leve e cheia de ironias. Ironias que são responsáveis pela graça do livro. O perfil de cada presidente é traçado com base em declarações ou atitudes que marcaram a época. E, a partir disto, o livro explica os fatos relevantes para a vida do brasileiro.
Por exemplo: a famosa frase de Fernando Collor 'Não me deixem só' é o caminho para contar como o jovem alagoano que prometeu acabar com os marajás chegou a presidente e se envolveu em um mar de problemas que terminaram no afastamento do menino. O melhor de tudo é que Collor terminou sozinho mesmo, sem irmão, tesoureiro, esposa e, principalmente, sem amigos na mídia - coisa que ele tanto gostava.
Dedico parágrafo especial aos perfis dos generais que 'presentearam' a história do Brasil com 25 anos de ditarura (e que todos querem esquecer). É incrível como eles pintaram e bordaram nesta nação, manipularam opiniões, catequizaram civis e tiveram apoio dos Estados Unidos (por motivos óbvios, já que a maior potência do mundo morria de medo de um revolucionário chamado Fidel).
Bom, mas, voltando: os capítulos dedicados aos generais estão óooooooootimos. Morri de rir. Deu até vontade de ler mais sobre Figueiredo, que ficou famoso pela frase 'Prendo, bato e arrebento', dita em uma entrevista coletiva à epoca.
Esse envolvimento todo com a leitura só é possível graças à edição do livro. Para não ficar chato, o sábio editor intercalou os textos com uma 'faixa cronológica' que traz, ano a ano, os principais fatos ocorridos no país durante o mandato de cada governante - e aí entram todo o tipo de informação, incluindo detalhes da nossa cultura.
Além disso, vale a pena ler todas as colunas 'Denúncias e escândalos', que também interagem com os perfis. E também os quadros 'Personalidade' que mostram pessoas que influenciarm o governo de alguma forma, com direito a expor suas fraquezas, inteligências e besteiras. Sim, porque todos nós fazemos besteiras. Até Obama.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
A Veja e seus pré-julgamentos
Como jornalista, tenho por obrigação ler a Veja - apesar de não concordar com seus critérios editoriais, abordagem de matéria e com a eterna campanha pró neoliberalismo (leia-se DEM e PSDB).
E por que obrigação? Quem quer criticar tem que conhecer antes, pelo menos é o que eu acho. A edição desta quarta-feira (29) - já nas bancas desde sábado - traz uma matéria para lá de tendenciosa e que coloca o ministro Joaquim Barbosa (aquele que nos deixou orgulhosos)como o incentivador da discussão que fervilhou no Supremo Tribunal Federal na semana passada.
A matéria - intulada 'O dia de índio de Joaquim Barbosa' (também achei preconceituoso) - mostra o 'destempero' de Barbosa e leva o leitor menos informado a achar que ele foi o culpado por todo o tumulto. Vá lá que naquele dia ele estivesse de mal humor, mas até onde eu sei ele questionou os seus pares por mais informações sobre o caso que estavam julgando, quando foi lembrado por Gilmar Mendes que estava ausente. Detalhe: Joaquim estava de licença médica.
Me questionei da seguinte forma: para votar ele precisava de mais informações, tal como um editor precisa de mais alguns detalhes para decidir qual será a sua manchete. Era tão difícil para Gilmar prestá-las? Ou seria 'demais' um presidente fazer isto?
Bom, cada um com os seus critérios de postura, mas em relação à Veja o texto (bem escrito, sempre) faz julgamentos antecipados, descontrói a imagem de Barbosa e coloca Gilmar muito bem na fita - como vítima.
Mais na frente, ele traça um paralelo entre as biografias dos ministros, mostrando que eles tiveram muito em comum. Só que a revista esqueceu a principal diferença entre os dois: eles vem de meios e cenários completamente diferentes. Têm histórias de vida distintas e, quanto a Barbosa, a história dele tem muito mais com Brasil, já que não é todo filho de pedreiro que chega a ministro do STF, mas com esforço e dedicação, se consegue.
Além do mais, a Veja deixou de lado o fato de que Barbosa foi o responsável por decisões que, na minha humilde avaliação, acenderam a luz de que ainda é possível apostar na Justiça dos homens (porque eu confio na de Deus).
Para nós, paraibanos, foi ele quem conseguiu colocar em pauta um processo de julgamento que já estava perto de prescrever (crime contra a vida: limite - 20 anos) e que envolvia um ex-governador. A história política do Estado tb mudou com uma postura de Joaquim Barbosa.
O máximo que o texto faz é gerar uma expectativa sobre qual será a conduta de Joaquim Barbosa ao julgar o caso do Mensalão. É claro que a revista Veja não fez isto de graça, pois parágrafos acima ela fez questão de lembrar que Barbosa foi nomeado ministro por Lula, que é petista, e associou assim aos petistas que serão julgados por Joaquim Barbosa.
O que a Veja quis com isto? Respondo: Levantar a seguinte questão no imaginário: Será que, sendo nomeado pelo presidente da república, Joaquim terá o mesmo rigor para julgar os colegas petistas de Lula?
Só que a Veja quer mais ver o circo (o plenário, me desculpem) pegar fogo e torce para que Barbosa inocente os envolvidos no mensalão.
Vamos esperar. Mas eu duvido que isto aconteça.
E por que obrigação? Quem quer criticar tem que conhecer antes, pelo menos é o que eu acho. A edição desta quarta-feira (29) - já nas bancas desde sábado - traz uma matéria para lá de tendenciosa e que coloca o ministro Joaquim Barbosa (aquele que nos deixou orgulhosos)como o incentivador da discussão que fervilhou no Supremo Tribunal Federal na semana passada.
A matéria - intulada 'O dia de índio de Joaquim Barbosa' (também achei preconceituoso) - mostra o 'destempero' de Barbosa e leva o leitor menos informado a achar que ele foi o culpado por todo o tumulto. Vá lá que naquele dia ele estivesse de mal humor, mas até onde eu sei ele questionou os seus pares por mais informações sobre o caso que estavam julgando, quando foi lembrado por Gilmar Mendes que estava ausente. Detalhe: Joaquim estava de licença médica.
Me questionei da seguinte forma: para votar ele precisava de mais informações, tal como um editor precisa de mais alguns detalhes para decidir qual será a sua manchete. Era tão difícil para Gilmar prestá-las? Ou seria 'demais' um presidente fazer isto?
Bom, cada um com os seus critérios de postura, mas em relação à Veja o texto (bem escrito, sempre) faz julgamentos antecipados, descontrói a imagem de Barbosa e coloca Gilmar muito bem na fita - como vítima.
Mais na frente, ele traça um paralelo entre as biografias dos ministros, mostrando que eles tiveram muito em comum. Só que a revista esqueceu a principal diferença entre os dois: eles vem de meios e cenários completamente diferentes. Têm histórias de vida distintas e, quanto a Barbosa, a história dele tem muito mais com Brasil, já que não é todo filho de pedreiro que chega a ministro do STF, mas com esforço e dedicação, se consegue.
Além do mais, a Veja deixou de lado o fato de que Barbosa foi o responsável por decisões que, na minha humilde avaliação, acenderam a luz de que ainda é possível apostar na Justiça dos homens (porque eu confio na de Deus).
Para nós, paraibanos, foi ele quem conseguiu colocar em pauta um processo de julgamento que já estava perto de prescrever (crime contra a vida: limite - 20 anos) e que envolvia um ex-governador. A história política do Estado tb mudou com uma postura de Joaquim Barbosa.
O máximo que o texto faz é gerar uma expectativa sobre qual será a conduta de Joaquim Barbosa ao julgar o caso do Mensalão. É claro que a revista Veja não fez isto de graça, pois parágrafos acima ela fez questão de lembrar que Barbosa foi nomeado ministro por Lula, que é petista, e associou assim aos petistas que serão julgados por Joaquim Barbosa.
O que a Veja quis com isto? Respondo: Levantar a seguinte questão no imaginário: Será que, sendo nomeado pelo presidente da república, Joaquim terá o mesmo rigor para julgar os colegas petistas de Lula?
Só que a Veja quer mais ver o circo (o plenário, me desculpem) pegar fogo e torce para que Barbosa inocente os envolvidos no mensalão.
Vamos esperar. Mas eu duvido que isto aconteça.
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